Photo: Pedro R. Coelho (www.PRCoelho.pt)
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De 17 a 25 de outubro, a Rotterdam Ahoy volta a ser a capital da ginástica artística. Pela terceira vez na história, depois de 1987 e 2010, a cidade portuária holandesa recebe o Campeonato do Mundo — e desta vez há muito mais em jogo do que medalhas.
Há Mundiais que fecham ciclos e há Mundiais que os abrem. O de Roterdão pertence claramente ao segundo grupo. É aqui, à beira do Maas, que começa a sério a corrida para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Cerca de 500 ginastas, vindos de 70 a 80 países, chegam à 54.ª edição da prova com a mesma conta na cabeça: o pódio da final por equipas vale um bilhete direto para a Califórnia.
Para quem vive a modalidade por dentro, a semana promete o habitual cocktail de nervos, precisão e emoção. Para quem a acompanha de fora, é a oportunidade de ver a elite mundial a jogar tudo num só pavilhão, nove dias seguidos.
A primeira porta para Los Angeles
O regulamento de qualificação olímpica faz de Roterdão a primeira de duas grandes etapas por equipas. As três nações que subirem ao pódio na final coletiva garantem de imediato a vaga para LA 2028. As restantes terão de voltar a tentar no Mundial de 2027, com o calendário da Taça do Mundo de aparelhos de 2028 e os campeonatos continentais como últimas portas.
Muda também o formato. Cada seleção apresenta agora apenas cinco ginastas, contra os seis do ciclo de Paris 2024, e só oito equipas chegam à final. Menos margem significa mais pressão: uma queda na trave ou uma saída falhada na barra fixa pesa mais do que nunca, e os treinadores terão de equilibrar especialistas e ginastas completos com uma precisão quase cirúrgica.
Um palco conhecido, um anfitrião de luxo
A organização está a cargo da federação holandesa (KNGU) e da TIG Sports & Events, e o rosto do evento não podia ser mais simbólico. Epke Zonderland, campeão olímpico de barra fixa em Londres 2012, é o diretor do torneio. O mote escolhido, Building Bridges, assenta bem numa cidade definida pelas suas pontes.
Datas | Fase |
|---|---|
17 a 19 de outubro | Qualificações masculinas e femininas |
20 de outubro | Final por equipas masculina |
21 de outubro | Final por equipas feminina |
22 a 25 de outubro | Finais de concurso geral e por aparelhos |
Os bilhetes estão à venda desde outubro de 2025, a partir de 24 euros por sessão, e várias sessões esgotaram logo na pré-venda. A Ahoy, no bairro de Charlois, já recebeu o Mundial de 2010 e até a Eurovisão — sabe o que é encher-se para um grande espetáculo.
Quem pode brilhar
No setor feminino, todos os olhares apontam para Kaylia Nemour. A argelina, campeã olímpica de paralelas assimétricas em Paris, chega a Roterdão como grande favorita ao concurso geral, depois de somar 57,750 pontos nos Jogos do Mediterrâneo — a melhor marca mundial do ano.
Os Estados Unidos apresentam uma equipa renovada, com Skye Blakely, Charleigh Bullock, Reese Esponda, Claire Pease e Hezly Rivera. A China aposta na continuidade e traz as mesmas cinco ginastas que competiram nos Campeonatos e nos Jogos Asiáticos, com Ke Qinqin como referência no geral. O Japão conta com Aiko Sugihara, campeã mundial em título no solo.
Entre os homens, Carlos Yulo garantiu presença através dos Campeonatos Asiáticos e volta a ser um nome obrigatório nas finais de aparelhos. E há a pergunta que paira sobre todos os grandes eventos desde Paris: Simone Biles? Por agora, nada de oficial. A norte-americana avalia em «50-50» as hipóteses de voltar para Los Angeles e não confirmou Roterdão.
Dezasseis anos depois
Quando o Mundial passou por Roterdão em 2010, o mundo ainda não conhecia Simone Biles. Foi a semana da afirmação de Aliya Mustafina e do segundo dos seis títulos mundiais de Kohei Uchimura no concurso geral. A história sugere que a Ahoy tem jeito para revelar estrelas — e há boas razões para acreditar que voltará a fazê-lo.
Para Portugal, a semana tem ainda um eco especial. Na mesma reunião em que entregou o Mundial a Roterdão, a federação internacional atribuiu a Lisboa a World Gymnaestrada de 2027. A ponte entre as duas cidades já está lançada. Agora, é tempo de ver quem a atravessa primeiro rumo a Los Angeles.
ENG
From 17 to 25 October, Rotterdam Ahoy becomes the capital of artistic gymnastics once again. For the third time in history, after 1987 and 2010, the Dutch port city hosts the World Championships — and this time there is far more at stake than medals.
Some World Championships close a cycle; others open one. Rotterdam clearly belongs to the second kind. It is here, on the banks of the Maas, that the race for the Los Angeles 2028 Olympic Games truly begins. Around 500 gymnasts from 70 to 80 nations arrive at the 54th edition with the same sum in their heads: a podium in the team final is a direct ticket to California.
For those who live the sport from the inside, the week promises the usual mix of nerves, precision and emotion. For those watching from the outside, it is a chance to see the world’s elite put everything on the line in a single arena, nine days in a row.
The first door to Los Angeles
The Olympic qualification system makes Rotterdam the first of two major team qualifiers. The three nations that reach the podium in the team final secure their place at LA 2028 immediately. The rest will have to try again at the 2027 World Championships, with the 2028 Apparatus World Cup series and the continental championships as the last remaining doors.
The format changes too. Each nation now fields just five gymnasts, down from six in the Paris 2024 cycle, and only eight teams make the final. Less margin means more pressure: a fall on beam or a missed dismount on high bar weighs more than ever, and coaches will have to balance specialists and all-arounders with almost surgical precision.
A familiar stage, a star host
The event is organised by the Royal Dutch Gymnastics Federation (KNGU) and TIG Sports & Events, and its figurehead could hardly be more symbolic. Epke Zonderland, the London 2012 Olympic high bar champion, is tournament director. The chosen theme, Building Bridges, suits a city defined by its bridges.
Dates | Stage |
|---|---|
17–19 October | Men’s and women’s qualifications |
20 October | Men’s team final |
21 October | Women’s team final |
22–25 October | All-around and apparatus finals |
Tickets have been on sale since October 2025, from €24 per session, and several sessions sold out during the presale. Ahoy, in the Charlois district, already hosted the 2010 World Championships and even Eurovision — it knows how to fill up for a big show.
Who could shine
On the women’s side, all eyes are on Kaylia Nemour. The Algerian, Olympic uneven bars champion in Paris, arrives in Rotterdam as the big all-around favourite after scoring 57.750 at the Mediterranean Games — the world’s best mark of the year.
The United States bring a refreshed team: Skye Blakely, Charleigh Bullock, Reese Esponda, Claire Pease and Hezly Rivera. China bets on continuity, bringing the same five gymnasts who competed at the Asian Championships and the Asian Games, with Ke Qinqin as their all-around leader. Japan counts on Aiko Sugihara, the reigning world floor champion.
Among the men, Carlos Yulo secured his place through the Asian Championships and is once again a must-watch name in the apparatus finals. And then there is the question hanging over every major event since Paris: Simone Biles? For now, nothing official. The American puts her chances of returning for Los Angeles at “50-50” and has not confirmed Rotterdam.
Sixteen years on
When the World Championships came to Rotterdam in 2010, the world had not yet heard of Simone Biles. It was the week of Aliya Mustafina’s breakthrough and the second of Kohei Uchimura’s six world all-around titles. History suggests Ahoy has a knack for revealing stars — and there is good reason to believe it will do so again.
For Portugal, the week carries a special echo. At the same meeting where it awarded the World Championships to Rotterdam, the International Gymnastics Federation gave Lisbon the 2027 World Gymnaestrada. The bridge between the two cities is already built. Now it is time to see who crosses it first on the way to Los Angeles.

